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domingo, 2 de julho de 2017

Estamos Entrando nas "Três Semanas" que antecedem 9 beAv!

Meór HaShabat Semanal                                                                                
     
A história é contada que, certa vez, o imperador francês Napoleão Bonaparte (1769-1821) ouviu lamentos e gritos vindos de uma sinagoga. Querendo saber o motivo, vieram lhe informar que aquele era o dia de Tishá BeAv e que os Judeus estavam chorando pela destruição de seu Templo em Jerusalém. Como eu não ouvi sobre isto? Por que não me informaram? Quando aconteceu?, perguntou Napoleão. Quando descobriu que o fato ocorrera quase 1.700 anos antes, Napoleão falou: Uma nação que recorda seu Templo destruído e lamenta tão profundamente e por tanto tempo sua perda, certamente sobreviverá e terá o mérito de tê-lo reconstruído novamente! Por que os Judeus relembram o Templo de Jerusalém e lamentam a sua perda até os dias de hoje?

Napoleão e os Judeus

           Ao conhecermos e entendermos a nossa história, poderemos colocar nossas vidas na devida perspectiva: poderemos entender a nós mesmos, ao nosso povo, nossas metas e nossos valores. Saberemos a direção de nossas vidas, o que queremos conseguir e o que estamos prontos a suportar para atingir o nosso destino.  Há uma frase famosa de um filósofo do século XIX que resume bem este conceito: Se você tem um porquê pelo que viver, conseguirá suportar qualquer como!
           Estamos para entrar num período do calendário Judaico conhecido como As Três Semanas – o período entre o dia 17 do mês hebraico de Tamuz (terça-feira, 11 de julho) e o dia 9 do mês de Av (que se inicia segunda-feira à noite, 31 de julho). É um período tão desfavorável em toda nossa história, que o Shulchan Aruch, o Código das Leis Judaicas, nos aconselha a adiar processos judiciais e proíbe até a realização de casamentos. Também não cortamos o cabelo, não compramos ou vestimos roupas novas, não ouvimos música nem fazemos viagens por recreação. É um período de introspecção, com pensamentos voltados a corrigir nossos erros ou maus comportamentos na vida. Durante este período, ambos os Templos, em Jerusalém, foram destruídos.
           Mas por que lamentamos a perda destes Templos depois de tantos anos? O que eles significaram e significam para nós, habitantes do século 21?
           O Templo Sagrado de Jerusalém era o centro focal do Povo Judeu. Três vezes ao ano – em Pessach, Shavuót e Sucót – os Judeus que moravam em Israel e nas vizinhanças vinham orar e celebrar no Templo. Ele nos oferecia uma tremenda oportunidade de nos aproximarmos do Criador, de nos elevarmos espiritualmente. Ele representava o propósito do Povo Judeu na Terra de Israel: ser um Povo sagrado, unido com o Todo-Poderoso em nossa terra, um estado Judaico. Isto é o que ansiamos por recuperar e é por isto que lamentamos e relembramos a perda do que uma vez tivemos.
           Cinco calamidades ocorreram no dia 17 de Tamuz:
1) Moshe quebrou as primeiras pedras (não eram Tabuas da Lei, mas Pedras da Lei) contendo os 10 Mandamentos, quando desceu do Monte Sinai e viu o povo idolatrando o Bezerro de Ouro;  
2) A Oferenda Diária (Corban Tamid) parou de ser realizada no Primeiro Templo;  
3) Romperam-se as muralhas de Jerusalém, durante o cerco à cidade, na época do 2º. Templo;    
4) Apóstomo, o Perverso, um oficial romano, queimou um Sefer Torá (Rolos da Torá);   
5) Um ídolo foi colocado no Santuário do Segundo Templo.
           17 de Tamuz é um dia de jejum, e este ano cai na terça-feira, 11 de julho. O jejum começa cerca de 1 hora antes do nascer do sol e se estende até cerca de 1 hora após o por do sol (às 5:32 h da manhã e se encerra às 18:05 h – horários da cidade de S. Paulo). O propósito do jejum é despertarmos nossos corações para o arrependimento, ao relembrarmos os erros de nossos antepassados, que acarretaram tantas tragédias, e nossa repetição dos mesmos erros. O jejum é a preparação para o arrependimento – para quebrar a dominação do corpo sobre o nosso lado espiritual. A pessoa deve se engajar num autoexame e tomar a resolução de corrigir seus erros em suas relações com D'us, com as pessoas que convive e consigo mesma.
O que podemos ler para ganhar mais conhecimento, entendimento e perspectiva sobre quem é o Povo Judeu e sua importância? O primeiro passo com certeza é ler A Lei de Moisés, a Bíblia e o livro Dezenove Cartas, escrito pelo Rabinoalemão Samson Raphael Hirsh 



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