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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Meor Hashabat - Uma Super ferramenta chamada Cérebro.

Outro dia eu estava na fila do restaurante. Uma mulher à minha frente pediu ao atendente: Gostaria de um shwarma (um tipo de sanduíche, geralmente de carne de carneiro bem temperada, dentro de uma pita (pão sírio)). O senhor poderia, por favor, esquentar a pita antes de colocar a carne dentro? O rapaz que cuidava da churrasqueira respondeu: Não. A pita precisa ser esquentada depois que a carne está dentro, para se obter um melhor resultado. A mulher retrucou: Eu não quero que você faça desta maneira. Então me faça o shwarma sem esquentar a pita. Não, respondeu o churrasqueiro. Se a senhora quer uma pita aquecida, vou esquentá-la depois de colocar a carne dentro. A mulher apenas riu e exclamou: Isto é incrível!
            Lembrou-me de uma história sobre um pai que perguntou a seu filho, um escoteiro, se havia feito alguma boa ação naquele dia. O garoto disse: Sim, ajudei uma senhora de idade a atravessar a rua. Precisamos de 12 escoteiros para consegui-lo. Por que precisaram de 12 garotos?, perguntou o pai, curioso. E o filho respondeu: Porque ela não queria atravessar!!
            Quando praticamos atos de bondade, todos temos - alguns mais, outros menos – um certo benefício pessoal por fazer a gentileza. Esperamos que, ao agir com bondade, a pessoa beneficiada gostará mais de nós ou nos dará um desconto ou alguma condição vantajosa. Muitas vezes ‘distorcemos’ a bondade em nosso benefício.
            Nesta Porção Semanal, Yossêf enterra seu pai, Yaacov, na Maarát HaMachpelá, a caverna que seu bisavô, Avraham, adquiriu de Efron, o Hitita, para servir como sepultura para a sua família. Nossos Sábios chamam o ato de se enterrar um falecido de ‘chessed shel emet’, a verdadeira bondade. Por quê? Como mencionamos acima, toda vez que fazemos uma bondade há uma certa expectativa de que a pessoa beneficiada retribua o nosso ato. Quando se executa os passos necessários a um enterro - a tahara (a lavagem e o vestir do falecido, enquanto se recitam preces) e a kevura (preparar a sepultura, comparecer ao funeral e fazer o enterro) – não existe a possibilidade de que a pessoa receba alguma retribuição do beneficiário de sua bondade. O falecido nunca irá retribuir a bondade que está recebendo. Sim, é verdade: o Todo-Poderoso nos recompensa por todas as mitsvót que fazemos, mas o falecido não retribuirá nossa bondade.
            Na oração do Shemoná Esrê (também conhecida por Amida, a prece principal que um judeu faz três vezes ao dia, na qual louvamos D’us, fazemos pedidos para todo o Povo e o mundo, pedidos pessoais e agradecimentos ao Todo-Poderoso), temos a seguinte frase: Gomel Hassadim Tovim – Ele que nos concede boas bondades. Por que o Sanhedrin, o grande tribunal rabínico que compôs o Shemoná Esrê, em sua imensa sabedoria, decidiu ser necessário incluir a aparentemente desnecessária palavra ‘boas’ para nos dizer que tipo de bondade D’us nos concede?
            A resposta é que D’us quis que imitássemos o Seu comportamento, para assegurar que a bondade que praticamos seja realmente ‘boa’. Todos nós temos a capacidade de tentar arrumar explicações e justificativas para os nossos atos. Nossos cérebros são ferramentas muito poderosas. Se você perguntar: Cérebro, dê-me 10 razões para assaltar um banco, ele lhe responderá: (1) Pense em todo o bem que poderá fazer com o dinheiro! (2) Ninguém sairá prejudicado, pois o banco tem seguro! (3) Será emocionante, etc. E se você pedir ao seu cérebro 10 razões para NÃO assaltar o banco, ele rapidamente responderá: “(1) Você provavelmente será pego! (2) Irá para a cadeia. (3) Envergonhará seus familiares. (4) É errado!”, e assim por diante.



            Todos nós precisamos estar conscientes das motivações por trás de nossas atitudes e ter certeza de que estão sendo feitas pelas razões corretas.
            Para ilustrar isto, trago-lhes uma historinha infame: Conta-se que um homem muito rico e miserável voltou à noite para casa e perguntou à esposa: O que temos para jantar? A esposa respondeu: Frango. Mas me parece que ele está com um cheiro esquisito! O marido disse: Sabe, avisaram que há um indivíduo carente que está precisando de comida. Vou pegar este frango e dar a ele. Você, querida esposa, prepare outra coisa para o jantar!
            No dia seguinte, o marido chegou mais tarde do que de costume e a esposa perguntou: O que aconteceu? O marido respondeu: Lembra-se do pobre que precisava de alimento e a quem dei o frango? Ele ficou doente e fui cumprir a mitsvá de bikur holim (visitar os enfermos).
            No terceiro dia, o marido chegou muito atrasado. Quando a esposa perguntou a razão, o marido respondeu: Bem, você se lembra do pobre a quem dei o frango e que ficou doente? Infelizmente seu estômago era muito sensível e acabou morrendo. Fui tomar as providências para seu funeral. Foi tudo muito triste, mas pensei no seguinte: ‘Não é maravilhoso que conseguimos fazer 3 mitsvót (alimentar uma pessoa carente, visitar um doente e participar de um funeral) investindo apenas um frango mal cheiroso?’
            Nossa lição: ao praticarmos atos de bondade, asseguremo-nos que seja um ato bom para seu recebedor e que seja algo que a pessoa realmente deseja!


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